Preparar-se financeiramente para os próximos anos continua sendo um grande desafio para os brasileiros, de acordo com um estudo divulgado nesta quinta-feira, o “Indicador de Bem-Estar Financeiro”. Mais de metade (57%) dos entrevistados disse não ter planejado ações que assegurem seu futuro financeiro. Um número maior ainda (63%) admitiu que a situação financeira acabava por controlar a sua vida em algum grau.

Divulgado mensalmente pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), com apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o estudo mede o nível de bem-estar financeiro de cada consumidor com base em respostas dadas para dez questões que avaliam os hábitos, costumes e experiências com uso do dinheiro. Confira outros resultados:

  • Quase sete em cada 10 brasileiros reconhecem não ter capacidade de lidar com imprevistos.
  • Somente 9% declarou conseguir arcar com despesas que extrapolam o orçamento.
  • 60% dos brasileiros chegam ao fim do mês sem sobras de dinheiro;
  • Praticamente um terço (29%) consegue, às vezes, fazer uma reserva.
  • Apenas 10% guardam sempre ou frequentemente alguma quantia.
  • 61% reconheceram não aproveitar a vida por administrar mal o dinheiro;
  • 31% declararam não conseguir viver plenamente em razão de sua condição financeira.
  • 43% afirmam que nunca ou raramente poderiam dar um presente – seja de casamento, aniversário ou em alguma outra ocasião especial – sem prejudicar as finanças do mês.
  • 44% declarou acreditar que, por causa da sua situação financeira, não terá as coisas que querem na vida.

Avanço discreto

Apesar dos resultados, em agosto, o “Indicador de Bem-Estar Financeiro” subiu um pouco,  para 48,9 pontos (uma pequena alta na comparação com julho, que ficou em 48 pontos, em uma escala de 0 a 100). “O avanço do indicador foi bem discreto, em linha com uma recuperação que segue muito lenta e com o desemprego que continua elevado e a renda pressionada. Mas não é só a conjuntura que influi. Há outros fatores ligados a aspectos comportamentais que pesam no bem-estar financeiro e levam algum tempo para mudar”, declarou a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. “O controle do orçamento exige certa disciplina, mas no final do mês recompensa, tanto no aspecto emocional, por não haver estresse na hora de pagar as contas, quanto no aspecto financeiro, já que com uma reserva será possível realizar planos futuros. O descuido pode custar caro”, complementou o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli.

O levantamento apontou ainda que, entre os entrevistados acima de 50 anos, o nível médio de bem-estar financeiro foi maior (50,1 pontos) do que o observado entre os mais jovens (48,2 pontos) e os de meia idade (48,8 pontos). De acordo com a economista-chefe do SPC Brasil, “as diferenças observadas entre as faixas etárias devem-se ao fato de que, na terceira idade, o peso da preocupação com o futuro diminui, assim como os compromissos financeiros típicos da meia idade, como a aquisição de casa e carro, além da criação dos filhos”.

Metodologia

“O Indicador baseia-se num modelo de score desenvolvido pelo Consumer Financial Protection Bureau (CFPB), órgão americano de proteção ao consumidor, traduzido para realidade brasileira por pesquisadores do Núcleo de Estudos Comportamentais da CVM, tendo como objetivo medir, periodicamente, o nível de bem-estar financeiro da população. A mensuração é feita por meio de entrevistas aplicadas periodicamente a uma amostra representativa dos brasileiros, com um questionário composto de dez questões. De acordo com suas respostas, os entrevistados recebem uma nota, que pode variar entre zero e 100. Quanto mais próximo de 100, maior será o nível de bem-estar financeiro; quanto mais próximo de zero, menor o nível de bem-estar. O Indicador é obtido pela média dos scores da amostra.”