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Como calcular a rentabilidade de um investimento

A rentabilidade do investimento é o grande objetivo que o investidor tem para sua aplicação, além de ser o principal fator para a tomada de decisão quando opções diferentes são comparadas. Por isso, entender como os rendimentos funcionam e são calculados é muito importante — antes mesmo de as aplicações serem efetivadas.

Neste post, específico sobre o assunto, vamos explicar como a rentabilidade real é calculada, como se diferencia da rentabilidade bruta e quais outros tipos de rentabilidade podem ser averiguados em uma aplicação.

O que é a rentabilidade do investimento?

A rentabilidade é simplesmente o percentual de retorno obtido pelo investidor para uma aplicação feita no mercado financeiro. Dentro do conceito geral dos rendimentos, ainda temos a rentabilidade bruta e a líquida.

A primeira diz respeito a todo o retorno gerado por uma aplicação financeira, antes que seja descontada a inflação. Já a líquida é o percentual que o investimento entrega na liquidação da opção levando em conta o poder de compra do montante nesse momento, o que se obtém aplicando a inflação do período sobre a porcentagem bruta de rentabilidade.

Como calcular a rentabilidade real?

Primeiramente, os percentuais de rentabilidade e inflação devem pertencer ao mesmo período. Em hipótese, uma aplicação da renda fixa que gere 100% do CDI teve a rentabilidade bruta de 6,27% nos 12 meses entre outubro de 2018 e setembro de 2019. Enquanto isso, para o mesmo período, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que demonstra a inflação, acumulou 2,93%.

Com esses números, a fórmula a seguir entrega a rentabilidade real do período para o investimento:

  • (1 + 0,0627) ÷ (1 + 0,0293) – 1;
  • (1,0627 ÷ 1,0293) – 1;
  • 1,033 – 1 = 0,033;
  • 0,033 x 100 = 3,3% de rentabilidade real.

O que é a rentabilidade por período?

Outra possível diferenciação é a de rentabilidade por período. Normalmente, o percentual é observado pelo panorama anual, mas pode ser convertido para um valor mensal se for de interesse do investidor. Também é possível obter a média de rentabilidade no caso de ela variar a cada período.

Por exemplo, um investimento que tenha rendido 11% no primeiro ano, 12,5% no segundo e 13% no terceiro tem a média calculada da seguinte forma:

  • (11 + 12,5 + 13) ÷ 36 meses;
  • 36,5 ÷ 36 = 1,014;
  • 1,014 x 10 = 10,14% de rentabilidade anual média.

Já a rentabilidade mensal é calculada dividindo o percentual do período pelo número de meses. No exemplo, o resultado foi de 0,92% ao mês (11% ÷ 12) para o primeiro ano.

Qual é a diferença entre rentabilidade e lucratividade?

A rentabilidade do investimento, mesmo a real, não é a sua lucratividade. Isso porque a lucratividade se refere ao valor que é entregue efetivamente ao investidor descontando os custos de seu investimento. Vamos a um exemplo para ilustrar a lucratividade de uma opção da renda fixa mantida por cinco anos:

  • capital aplicado: R$ 5 mil;
  • taxa prefixada: 7,5% ao ano;
  • lucro bruto: R$ 1.875;
  • imposto de renda na liquidação: 15% sobre os rendimentos (R$ 281,25);
  • taxa de administração: 1% ao ano sobre o capital (R$ 250);
  • lucro líquido: R$ 1.343,75.

Agora é possível também calcular a lucratividade percentual:

  • 1.343,75 ÷ 5.000 = 0,26875;
  • 0,26875 x 100 = 26,875% de lucratividade no período de cinco anos;
  • 26,875 ÷ 60 meses = 0,44792;
  • 0,44792 x 10 = 4,4792% de lucratividade média ao ano.

E o que é a liquidez do investimento?

A liquidez não tem a ver com rentabilidade nem com lucratividade, pois é a capacidade de um ativo ou investimento ser convertido em dinheiro. Apesar da semelhança com “rentabilidade líquida” e “liquidação”, o termo tem significado totalmente diferente desses.

Uma aplicação com liquidez diária, como os títulos do Tesouro Nacional, pode ser liquidada e convertida em dinheiro para o detentor a qualquer dia. Isso significa que a opção tem alta liquidez.

Já um ativo mais demorado e difícil de ser convertido em dinheiro tem baixa liquidez. Por exemplo, ações da bolsa de valores com pouco volume de negociação têm baixa liquidez — os acionistas detentores dos papéis têm dificuldade para encontrar compradores e demoram mais para isso em comparação com a facilidade de liquidar um título público.

Como analisar investimentos por rentabilidade e lucratividade?

Um dos primeiros critérios a serem observados é a relação entre tempo e percentual de rentabilidade bruta. Enquanto uma aplicação pode render 10% em um ano, outra pode render 14% em um ano e meio. Ou seja, a primeira hipótese entrega rendimentos de 0,83% ao mês e a segunda, 0,77%. Na comparação, o investimento com rentabilidade bruta maior não é o mais vantajoso, já que gera rentabilidade menor a cada mês e no geral.

Outro importante fator é a composição dos rendimentos. Uma opção que paga juros híbridos garante a cobertura da inflação e mais um percentual de rendimentos reais, enquanto outra com juro prefixado — mesmo maior do que a taxa da opção híbrida — pode entregar menor rentabilidade real por não superar em tanto o IPCA.

Quanto à lucratividade, tem de ser avaliada levando em conta os custos da aplicação. Um CDB e uma LCI, ambos da renda fixa, podem ser atrelados ao CDI ou terem a mesma taxa fixa de juros. No entanto, a LCI é isenta de imposto de renda. Resultado: a lucratividade obtida com a LCI será maior mesmo que as duas opções gerem o mesmo retorno bruto e sejam mantidas pelo mesmo tempo.

A conclusão é que a rentabilidade bruta ou real maior não quer dizer que a lucratividade será maior, sendo que o lucro é grande objetivo de investir. Logo, fazer as comparações citadas e os cálculos mostrados é sempre importante.

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