No geral, fundos de investimentos vendem quotas para os participantes e investem, por meio de gestão profissional, em ativos dos mais diversos tipos para gerar retorno aos quotistas. Mas eles não podem todos investir em quaisquer produtos, pois existem diferentes tipos de fundos de investimentos e, de acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), cada um deles deve respeitar percentuais e demais regras para as aplicações.

Portanto, os investidores que pretendem adquirir quotas de fundos precisam conhecer os tipos e seus detalhes para saberem quais ativos são proporcionados e tomarem decisões baseadas em seus perfis e objetivos.

Então, conheça agora sete tipos de fundos e saiba como funcionam.

1. Fundo de ações

Nesse fundo é obrigatório que pelo menos 67% de todo capital seja investido em ações da bolsa de valores ou opções diretamente ligadas ao mercado de ações, como quotas de fundos de índices e certificados de depósitos de ações. O restante do capital do fundo pode ser aplicado em outros ativos de renda fixa ou variável.

Quando o investidor entre em um fundo de ações não adquire os papéis diretamente, mas sim quotas de capital do fundo escolhido. Assim, é o fundo que compra os ativos, enquanto os quotistas ganham seus retornos de acordo com o retorno gerado pelas ações escolhidas pela gestão profissional do fundo, como em venda de papéis ou pagamento de dividendos por parte das companhias emissoras dos ativos.

2. Fundo de renda fixa

Aqui a maioria do capital do fundo tem de ser destinado a opções da renda fixa: pelo menos 80% em ativos como Certificado de Depósito Bancário (CDB), debêntures e títulos do Tesouro Nacional.

O que sobrar, caso não seja aplicado 100% do capital nessas opções, pode ser investido em derivativos, opções como contratos atrelados demais ativos. Um exemplo de derivativo é um contrato futuro de dólar, pelo qual o investidor tem direito a ganhar rendimentos conforme a oscilação, e a valorização, da moeda.

A maior parte, aplicada na renda fixa, gera retorno aos investidores conforme os rendimentos dos ativos por juros e índices. Por exemplo, determinado debênture, um título privado, pode ter uma taxa prefixada de juros em seu vencimento, enquanto um CDB pode ter o rendimento atrelado à taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), um índice utilizado para balizar a rentabilidade de diversas opções da renda fixa.

3. Fundo multimercados

Diferentemente dos tipos de fundos de investimentos citados acima, o multimercados não conta com regulação da CVM em relação a um percentual de ativos para o qual parte do capital tem de ser destinada. O que define quais opções receberão investimentos, e quanto, é o regulamento de cada fundo especificamente — o que corrobora a sua categoria multimercados por permitir alta diversificação dentro de cada fundo.

Ainda dentro da modalidade multimercados temos três categorias:

  • alocação: essa categoria diz respeito ao fundo multimercados que adquire ativos de diversos tipos, da renda fixa e da variável;
  • estratégia: a categoria estratégia tem como característica principal uma forma particular do fundo em questão atuar, a sua estratégia de investimento. Nesse caso, como o foco não são os ativos e sim o modelo  de gestão, tanto várias opções podem ser abrangidas pelos investimentos de capital quanto apenas uma;
  • investimento no exterior: nessa classe de multimercados um fundo investe no mínimo 40% de todo o seu patrimônio líquido em ativos de fora do país, como moedas e títulos de dívida externa.

Depois, em cada categoria há subcategorias, que finalmente definem as políticas de atuação na prática de cada fundo, com ações que podem ou não ser utilizadas. Ao todo, são 10 subcategorias: duas em alocação, sete em estratégia e uma em investimento no exterior.

4. Fundo imobiliário

Os ativos do fundo imobiliário são atrelados a imóveis, opções nas quais todo o capital disponível deve ser alocado. Pelo menos 75% deve ser colocado em empreendimentos imobiliários, enquanto o restante pode ser alocado em títulos relacionados ao setor imobiliário, como a Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e ações de companhias do setor de imóveis. Ou seja, esse fundo não permite que nenhuma parte das disponibilidades seja aplicada em demais ativos não ligados à área imobiliária.

Como investimento em empreendimentos, os quotistas não adquirem nenhum patrimônio físico. São os fundos que adquirem os imóveis, para venda e aluguel, enquanto os investidores recebem retorno de acordo com o que o fundo ganha com vendas e locações.

Outra característica marcante dos fundos imobiliários é que, como não ocorre com os demais, suas quotas não são resgatáveis. Significa que os investidores não podem decidir deixar um fundo resgatando o que aplicaram em capital, apenas se outros investidores adquirirem as suas quotas, o que ocorre na bolsa de valores. Isso acontece porque são fundos fechados, e o resgate de investimento somente é possível em tipos de fundos de investimentos que contam com fundos abertos.

5. Fundo cambial

O foco dos fundos cambiais é a geração de retorno com a oscilação de moedas estrangeiras, seja diretamente com elas ou com instrumentos que se baseiam nelas, como os contratos futuros de dólar e títulos da dívida externa de outro país. 80% do capital de um fundo tem de ser destinado a essas opções, ficando o percentual residual disponível para aplicações em ativos da renda fixa e derivativos.

6. Fundo de curto prazo

O curto prazo que dá nome a esse tipo de fundo compreende um período entre 60 e 375 dias, para o qual os investimentos são geridos para dar retorno. Quanto ao capital, deve ser todo aplicado em títulos públicos ou privados, pós, prefixados ou híbridos.

7. Fundo referenciado

Os produtos financeiros desse fundo têm índices e moedas estrangeiras como referência para os rendimentos, e devem receber o mínimo de 95% das disponibilidades. E em uma segunda obrigatoriedade, 80% do valor destinado às aplicações, sendo 95% ou mais de todo o capital, precisa ser utilizado para adquirir títulos do Tesouro Nacional e outros atrelados a índices de mercado e considerados de baixo risco pelo gestor.

O restante, se existir, pode ser alocado em derivativos a fim de fazer hedge para proteção dos investidores — não para gerar rentabilidade. Esse resquício de disponibilidade ajuda a gestão do fundo a evitar perdas por conta da oscilação de índices ou moedas que referenciam os ativos do fundo.

Agora que você está mais bem informado sobre os tipos de fundos de investimentos, conheça outras seis opções, além dos fundos, melhores que a poupança para investir seu dinheiro e ter bom retorno.